
Mudança curricular no Ensino Médio
A mudança curricular no Ensino Médio que o MEC está propondo com certeza acabará com o pouco que resta do ensino médio no Brasil. Levando-se em consideração que a educação pública responde por mais de 80% das matrÃculas na educação fundamental e média, podemos perceber o tamanho do prejuÃzo que isto poderá causar. O Ensino Médio não é o local de ensinar o que faltou no ensino fundamental (que ficou tentando alfabetizar os alunos até o 9o ano). Quando o aluno chega ao ensino médio ele deveria estar no perÃodo operatório abstrato. O que significa dizer que ele deveria estar se preocupando mais em pensar do que decorar.
O que estão propondo é diminuir o currÃculo (o que eles têm para decorar) para tentarem aumentar a média. Temos que ter cuidado para que isto não redunde em uma acomodação do ENEM ao novo currÃculo para que as notas subam. O ENEM não vai poder cobrar o que não existe no currÃculo oficial do MEC. O que deve ser feita é uma redução no número de tópicos de cada matéria para que fique o mais relevante e diminua o absurdo de itens que existem para os alunos decorarem (o que eles chamam de aprender). A pilha de livros exigidos do 1º ao 3º ano do ensino médio mostra a impossibilidade dos alunos decorarem aquilo tudo. Positivo é o aumento de carga horária. Mas o aumento da carga horária, por si só, não resolve nada.
Fazendo uma analogia: se queremos melhorar a alimentação dos jovens não podemos pensar em somente dar mais comida para todos, pois corremos o risco de deixar todos obesos. Devemos prescrever comida de qualidade e balanceada para não faltarem as vitaminas e outros nutrientes necessários ao corpo. Diminuir os conteúdos (tirar a gordura) e não as matérias e melhorar a qualidade da aula dada, essa sim é a solução tanto no ensino fundamental como no ensino médio.
A escola, já há algum tempo, está sendo formatada por baixo. É a maximização da escola para todos em contradição à escola de excelência. Não se está buscando uma escola de excelência para todos. Hoje no Brasil, depois de dois governos do Fernando Henrique e dois de Lula (16 anos), contamos com mais de cinqüenta por cento (50,2% segundo dados do IBGE- 2010) dos brasileiros que não terminaram o ensino fundamental. Toda mudança deve começar no ensino fundamental, é lá que está a base do ensino médio.
Educação tem que sair do item despesa e passar para investimento impulsionando, assim, o desenvolvimento. Existem estudos do IPEA que mostram o impacto positivo no PIB do investimento em educação e paralelamente a diminuição da mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida e aumento da renda per capita. Tem que existir escola para todos, mas também precisamos de escolas de excelência, pois, sem a erudição de alguns, nos tornaremos cada vez mais um PaÃs grosseiro e ignorante.